Viva a Celulite, Amém!

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Hello, Lady and Gentleman.

Prazer estar aqui, nós três. Eu, você e eu.

Sobre minhas pequenas férias:

Viva a celulite, amém.

Sempre fui muito encanada com essa coisa de não ser perfeita.

Sobretudo após certas gordurinhas, ao longo dos anos, virarem minhas fiéis amigas. Inseparáveis escudeiras que, de modo algum, – nem se eu participar de uma maratona, nadar – ida e volta – até a África e dar uma voltinha de bicicleta até ali em Roma – se separa do cós do meu jeans.

Me retraí, escondi, murchei. As famigeradas bordinhas de catupiry.

Confesso, minha autoestima estava mais baixa que barriga de sapo. Short? Bem pra baixo do joelho, muito a cima do umbigo. Incontáveis batas, camisas soltas, mangas – e aquelas pelanquinhas do tchauzinho? – e tudo G. Okay, GG.

Essa modinha de vestido com cinto, para marcar a silhueta é pra acabar. Sovaquinho suicida, inimigo mortal. Perdi a paciência. Vou entrar na academia.

Antes disso, vou me despedir.

Nada melhor que uma viagem, comer tudo que for possível e imaginável. Caldos mil. Pastéis, McDonald’s. Sem falar nos tais pratos típicos. Engraçado que comida de fora nunca tem rúcula. Ou alface, ou brócolis. Isso é comida de casa. Em outro Estado? Batata frita!!

O pior está por vir. No meio dessa brincadeira, tem uma festa de criança. Brigadeiro. Bolo. Bem-casados. Balas, pirulitos. Tudo! Sério? Um adeus em grande estilo.

Embarquei.

Destino? Rio de Janeiro. Em pleno fevereiro.

Prevendo humilhações. Mulatas popozudas, barriga tanque, coxas de concreto.

Mal pouso em solo carioca, shortinhos curtos pipocam. Com um calor do nível “quem deixou a caldeira aberta, produção?“, nada mais natural. Porém o que me surpreendeu foi o recheio. De fato, muitas mulheres “perfeitas”, mas no mesmo espaço, disputando de igual para igual com as magrinhas, muitos shortinhos com abundância em volume. Surpresa. Contudo achei melhor não me animar.

De acordo que adentrava na Baixada Fluminense, os shorts encolhiam e os bumbuns pulavam sem pudor. Grandes ou pequenos. Lisos ou com celulites. Em plena democracia.

E o mais impressionante: Elas não se importavam.

Dias passavam e eu continuava a me surpreender.

Então tive uma revelação:

SAMSUNG CAMERA PICTURES

04/02/2015

Local: Grêmio Recreativo Escola de Samba Beija-Flor

Quadra da Beija-Flor de Nilópolis.

Um calor que Deus dava.

Mais de 3mil pessoas do lado de fora. Som alto. Sem falar na bateria nota 10.

Me aventurei.

Parecia que entrava num mundo novo. Nunca vi tanta gente ocupando tão pouco espaço.

E acredite, a quadra não é pequena.

Nada tem a ver com a lei da física – dois corposno caso, mais do que dois – jamais ocuparam o mesmo espaço.

Estava em total estado de graça por conta das roupas. Explico.

Barriguinha de fora? Quem disse que eu não posso?

Short só pra magrinha? Onde está escrito isso?

Celulite? Quem não?

Finalmente entendi Clarice Lispector.

“E se me achar esquisita,

respeite também.

até eu fui obrigada a me respeitar.”

E eu me aceitei.

Uma chuva de amor próprio caiu sobre mim. Gotas de orgulho banharam meu corpo gordinho. Encharcaram minha alma encucada. E eu me joguei.

Os furos das minhas coxas não sumiram.

Minhas bordinhas de catupiry continuaram a balançar.

Todavia, eu me amei. E me amo cada vez mais.

Ficar refém de calça comprida e manga longa? Nunca mais.

Todas aquelas moças majestosas me passaram na cara a realidade.

Perfeita jamais serei. porém é obrigação minha – e de mais ninguém – amar cada ponto imperfeito de mim. Afinal, essa sou eu. E eu me coloco em primeiro lugar.

Barriguinhas cheias de dobras me convenceram que eu não preciso de gominhos para ser feliz.

Dancei. Curti. Me descobri apenas mulher. Não uma psicótica por cada grama a mais na balança.

Ainda vou entrar na academia.

Em prol da minha saúde.

Não por conta de qualquer ditadura chinfrim da sociedade que nos obriga a usar um manequim 36, enquanto a maioria das que usam 44 são mais felizes. Vide as integrantes maravilhosas da minha Escola do coração;

Resumindo.

Dane-se a vergonha.

Viva a celulite.

Amém!

Inspire-se: https://www.youtube.com/watch?v=9ETNolkRyuQ

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7 comentários

  1. Érica · fevereiro 14, 2015

    Estive no RJ há mais ou menos 4 anos q voltei pensando igual a vc…Terra linda onde a liberdade ainda impera…Adorei suas palavras e concordo contigo :- “Viva a Celulite”

    Curtido por 1 pessoa

    • evelyntrovao · fevereiro 14, 2015

      De fato…
      Liberdade é um bem necessário.

      Curtir

  2. kleberhs007 · fevereiro 14, 2015

    Ótima crítica contra o modelo de corpo que a sociedade e a mídia querem impor às pessoas.

    Curtido por 2 pessoas

  3. Leno · fevereiro 14, 2015

    Perfeito….
    As pessoas tem que se amar do jeito que são.
    Não do jeito que os outros querem que seja…

    Curtido por 1 pessoa

  4. Luiza · fevereiro 19, 2015

    Disse tudo, e mais um pouco. Amor próprio quando a dieta funciona é fácil; difícil é continuar se amando quando o ponteiro da balança sobe.

    Curtido por 1 pessoa

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